Codependência na infância: como criar os filhos
Educar a prole talvez seja uma das tarefas mais complicadas na vida de adultos que exercem a maternidade e a paternidade. O desafio se torna ainda mais delicado diante da necessidade de conseguir identificar, a partir da infância e nas etapas seguintes, os sinais que a criança dá aos pais de que precisa subir degraus na sua independência.
E isso ocorre naturalmente. Desde as primeiras palavras e passos até o início da vida escolar e todas as fases subsequentes, num processo evolutivo que pode evitar a codependência. Para você, leitor, o termo pode até parecer novidade. No entanto, é uma situação mais comum do que se pensa. Na prática, a codependência é uma relação mútua entre alguém que desenvolveu efetiva dependência, seja por traumas ou excesso de proteção dos pais na infância, e outra pessoa que, assumindo o papel de codependente, se sente responsável por quem apresenta algum tipo de submissão. “O codependente também depende de quem depende dele. Estão relacionados entre si em uma espécie de simbiose. A codependência estabelece um vínculo bem mais profundo do que se imagina”, explica a psicóloga Maria Cristina Resende.
Segundo a especialista, existem muitos casos voluntários que geram a codependência, como a separação de mãe e filho logo após o nascimento por problemas de saúde ou outra circunstância alheia à vontade da família. “A criança já cresce com essa deficiência e vai ter relacionamentos diferenciados, muito mais complicados”, afirma a psicóloga sobre o início do desenvolvimento da dependência pelos filhos. O processo pode ocorrer não somente com os pais, mas envolver outras pessoas com quem a criança tem um vínculo afetivo.
Maria Cristina ainda destaca que, naturalmente, os pequenos são dependentes de seus pais até os 6 ou 7 anos, quando começam a aprimorar a fala, aprendem a ler e são capazes de realizar tarefas simples sozinhos. “Isso vai se estabelecendo em razão do progresso da criança, não há uma regra específica porque cada uma tem a própria realidade. Se os pais seguirem os sinais dados por ela já facilita bem”, orienta a profissional. Ela afirma que um erro do adulto é encarar seus filhos como incapazes de exercer alguma atividade, gerando inseguranças. “E aí se constitui esse tipo de vínculo, de fazer com que sua prole se torne dependente dele. Mas ele acaba igualmente ficando dependente do outro”, sustenta.
Inserir a criança em um convívio familiar amplo e na sociedade também é uma forma de reduzir a possibilidade de criar uma codependência, alerta Maria Cristina. O processo de diagnóstico e tratamento do transtorno não é nada fácil, segundo a especialista. Por ser algo que pode se perpetuar ao longo da vida, ela afirma que os pais, para evitar repassar a codependência aos filhos, devem buscar acompanhamento psicológico.
A profissional aconselha que os pais estejam atentos para encontrar um equilíbrio que os permita saber até que ponto o cuidado com os filhos é benéfico e contribui para o seu desenvolvimento. “A codependência começa na infância e é nessa fase que precisa ser tratada. Porque uma pessoa que depende da família – ou do núcleo em que é educada, podendo ser formado pelos parentes próximos ou mesmo em lares substitutos como orfanatos e escolas – não é saudável. Não é para isso que você se tornou adulto”, arremata Maria Cristina. Você identificou sinais de codependência em sua família? Em caso positivo, não se preocupe. Entre em contato com a psicóloga pelo (31) 99934-6166 e marque sua consulta online!


